3 atitudes que garantem a continuidade da sua fazenda e do seu legado.

No campo, patrimônio não nasce por acaso. Ele é construído com anos de trabalho intenso, exposição ao clima, oscilações de mercado e decisões que exigem coragem. O produtor investe a vida para fazer a terra prosperar. O maior risco, porém, muitas vezes não está na produção, nem no preço da commodity. Está no que acontece depois da ausência do titular.

Dados de órgãos como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural indicam que a falta de planejamento sucessório ainda é um dos principais fatores de descontinuidade de propriedades rurais no país. Conflitos familiares, inventários longos e desorganização patrimonial podem comprometer décadas de construção.

A seguir, três atitudes que separam quem deixa legado de quem deixa problema.

1) Transformar patrimônio em estrutura, não em confusão

Quando todo o patrimônio está concentrado no CPF do produtor, a fazenda se torna juridicamente vulnerável. Sem pessoa jurídica, sem holding patrimonial e sem separação clara entre bens pessoais e atividade produtiva, qualquer processo de sucessão tende a se arrastar.

Segundo orientações da Receita Federal do Brasil e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, a formalização da atividade rural por meio de estruturas societárias facilita a gestão tributária, sucessão e proteção patrimonial.

Na prática, a ausência dessa organização pode gerar:

  • Inventários demorados e custosos
  • Bloqueio de bens produtivos
  • Dificuldade de acesso a crédito
  • Conflitos entre herdeiros

Estruturar não significa apenas pagar menos imposto. Significa dar continuidade operacional à fazenda, mesmo diante de uma sucessão inesperada.

2) Ensinar o valor da terra antes de passar o título


A sucessão começa na formação dos herdeiros, não na assinatura de documentos.

Especialistas em governança familiar no agro, com estudos apoiados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, apontam que propriedades têm maior taxa de continuidade quando a nova geração participa da gestão antes da transferência formal.

Quem herda sem preparo tende a enxergar a terra como ativo financeiro. Quem entende o negócio enxerga propósito, responsabilidade e visão de longo prazo.

Preparar sucessores envolve:

  • Educação financeira e produtiva
  • Participação nas decisões da fazenda
  • Entendimento de custos, riscos e contratos
  • Alinhamento entre herdeiros

Legado não é apenas terra registrada em cartório. É mentalidade formada para sustentar o que foi construído.


3) Proteger a fazenda e reduzir a exposição a riscos que continuam depois de você

Dívidas, garantias, contratos e passivos ambientais não desaparecem com a ausência do produtor. Eles permanecem vinculados ao patrimônio.

Órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis alertam que responsabilidades ambientais, por exemplo, podem ser transferidas aos sucessores, inclusive com impactos financeiros relevantes.

Quando há mistura entre atividade e patrimônio pessoal, a exposição aumenta. Entre os principais riscos:

  • Execuções judiciais que atingem bens da família
  • Garantias bancárias vinculadas à terra
  • Multas ambientais herdadas
  • Contratos sem revisão sucessória

Separar estruturas, revisar garantias e mapear passivos reduz a vulnerabilidade da família e preserva a capacidade produtiva da propriedade.

O tempo não perdoa improviso

No agro, planejamento é sinônimo de sobrevivência. O produtor que organiza o futuro protege a operação, a família e a história construída. Quem adia decisões permite que o acaso defina o destino do patrimônio.

Planejamento sucessório não trata de saída. Trata de continuidade, organização e proteção responsável.

A OBDC atua ao lado de produtores rurais na estruturação patrimonial, na organização da sucessão e na redução de riscos, com visão jurídica, tributária e societária voltada à realidade do campo.

Porque o legado não é apenas o que se constrói em vida. É o que permanece produtivo depois dela.

 

Escrito por: Maria Silva

Jornalista e coordenadora de marketing na OBDC Contabilidade. Bacharel em Jornalismo pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas – FUNORTE e pós-graduada em Marketing e Vendas e em Marketing Digital e Análise de Dados pela Anhanguera Educacional.

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