EUA impõem tarifa de 50% ao Brasil: o que ficou de fora e como isso afeta o agro e a economia!

No dia 30 de julho de 2025, o presidente Donald Trump oficializou o chamado “tarifaço” contra o Brasil, elevando em 40 pontos percentuais a taxa já existente de 10%, totalizando 50% de tarifa sobre diversos produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 6 de agosto e acirra tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Contudo, nem todos os produtos foram incluídos na tarifa adicional. Uma lista com quase 700 exceções foi divulgada, o que muda significativamente o impacto para alguns setores estratégicos — especialmente o agro.

O que está isento da nova tarifa?

1. Artigos de aeronaves civis

Motores, peças, tubos, sistemas elétricos, pneus e simuladores de voo estão livres da tarifa adicional.

2. Veículos e peças específicas

Sedans, SUVs, vans de carga, caminhões leves e componentes continuam com isenção.

3. Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre

A tarifa não se aplica a itens semielaborados e componentes industriais derivados desses metais.

4. Fertilizantes

Essenciais para a agricultura brasileira, seguem livres da nova taxação.

5. Produtos agrícolas e de madeira

Itens como castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, madeira tropical, polpa de madeira e fibras do gênero Agave foram poupados.

6. Metais e minerais específicos

Silício, ferro-gusa, alumina, estanho, ouro, prata, ferro-níquel, ferronióbio e outros derivados do minério de ferro permanecem isentos.

7. Energia e produtos energéticos

Gás natural, petróleo e derivados, carvão e energia elétrica não sofrerão sobretaxa.

8. Bens retornados aos EUA

Produtos enviados para reparo ou modificação e que voltam aos EUA não entram na nova regra.

9. Bens em trânsito

Produtos embarcados antes da vigência da tarifa e que cheguem aos EUA até 5 de outubro estarão livres da taxa.

10. Produtos de uso pessoal

Itens transportados na bagagem de passageiros estão liberados.

11. Donativos e materiais informativos

Alimentos, roupas, medicamentos, livros, filmes, CDs, pôsteres, artes e conteúdos jornalísticos não serão afetados.

Por que essa medida foi tomada?

A Casa Branca alegou que o Brasil representa uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à liberdade de expressão” dos EUA. O decreto menciona diretamente o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de perseguir opositores políticos e impor sanções a empresas americanas. O texto faz referência a casos como o do blogueiro Paulo Figueiredo, atualmente nos EUA, e afirma que empresas foram penalizadas por descumprirem ordens judiciais brasileiras.

Além das tarifas, houve também revogação de vistos de ministros do STF e do procurador-geral Paulo Gonet, sinalizando uma escalada sem precedentes nas relações diplomáticas.

Efeitos para o agro e o mercado brasileiro

Apesar das isenções, muitos produtos brasileiros de peso seguirão sendo afetados — como carne bovina, café, frutas frescas, soja industrializada, e outros alimentos processados. Isso traz riscos importantes:

  • Queda na competitividade nos EUA, com desvio de mercado para concorrentes como México e Colômbia;

  • Pressão sobre os preços internos, com aumento de oferta local e retração de margens;

  • Revisão de contratos de exportação, que agora exigem renegociação urgente;

  • Aumento da instabilidade cambial, com o dólar ultrapassando R$ 5,62 e o euro acima de R$ 6,41.

Como empresários e produtores devem reagir?

Frente a esse cenário, é essencial:

  • Revisar as estratégias comerciais e buscar diversificação de mercados;

  • Aperfeiçoar o posicionamento de marca com certificações, ESG e diferenciação de produto;

  • Fortalecer a inteligência tributária e logística para reduzir impactos internos;

  • Investir em assessoria especializada em comércio exterior e mitigação de riscos políticos.

A nova tarifa imposta pelos EUA é uma resposta política com fortes consequências econômicas, que exige do Brasil uma postura firme, estratégica e articulada. Se por um lado ela fere a previsibilidade e os fluxos comerciais, por outro abre espaço para o Brasil amadurecer sua atuação internacional, fortalecer outros mercados e reduzir dependência de parceiros instáveis.

A chave, agora, está na reação rápida e inteligente do setor produtivo.

Escrito por: Maria Silva

Jornalista e analista de marketing na OBDC Contabilidade. Bacharel em Jornalismo pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas – FUNORTE e pós-graduada em Marketing e Vendas e em Marketing Digital e Análise de Dados pela Anhanguera Educacional.